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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rebanhão: Conheça a História de Uma Banda







Rebanhão foi uma banda brasileira de rock cristão que teve cerca de vinte anos de atividade. Seu fundador é o cantor e compositor capixaba Janires Magalhães Manso que acabara de se converter ao cristianismo e junto com amigos em São Paulo criavam um novo grupo de rock que unia letras poéticas com temática cristã. Logo o músico partiu para o Rio de Janeiro, onde finalmente montou o "Rebanhão" que seria notável no Brasil e que passaria por quatro fases distintas.[1]
A partir do disco Mais Doce que o Mel, lançado em 1981, a banda se tornou a primeira no país em notoriedade nacional do gênero. Apesar de seus membros serem criticados pela sonoriedade e as letras, as canções do Rebanhão atraíam os jovens cristãos, e fez a banda alcançar uma alta vendagem do primeiro trabalho. O Rebanhão ainda foi responsável, em sua primeira formação em gravar o primeiro disco evangélico ao vivo no Brasil, Janires e Amigos, em 1984.
A saída do fundador e do líder do grupo em 1985 fez com que o Rebanhão entrasse na sua segunda e mais bem sucedida fase em vendas. O guitarrista e cantor Carlinhos Félix passou a atuar como líder e principal vocalista, lançando vários trabalhos. Após o lançamento de Pé na Estrada em 1991, Félix decidiu seguir uma carreira solo e então o tecladista e único integrante da formação original, Pedro Braconnot assumiu a liderança e os vocais do Rebanhão. Em sua participação, a banda lançou o bem sucedido e elogiado Enquanto é dia, de 1994.
Entretanto, com a mudança frequente de integrantes, sonoridade e com a pouca popularidade da banda no final da décade de 90, o Rebanhão lançou seu último trabalho, Vamos Viver o Amor e em 2000 encerrou suas atividades. Porém, a banda é frequentemente apontada como uma das responsáveis pela modernização da música cristã e servindo de influência para vários músicos da música cristã contemporânea.

História

Início e primeiras composições (1975-1979)

O início da história do Rebanhão confunde-se com a trajetória musical e religiosa de Janires Magalhães Manso. Após ser preso em flagrante, parar numa casa de recuperação e tornar-se evangélico após frequentar os cultos na Igreja Cristo Salva, conhecida também como "igreja do Tio Cássio", o músico tinha a vontade de criar uma banda de rock cristão. Ainda, nessa época o cantor já possuía suas primeiras composições. Foi gravado um compacto em 1979, mas Janires decidiu mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro, finalizando tal projeto ali.

Primeiros trabalhos e notoriedade nacional (1979-1985)

Após mudar para o Rio de Janeiro, Janires ainda queria prosseguir o projeto do Rebanhão. Assim o prosseguiu, conhecendo Pedro Braconnot, um viciado em drogas e ainda não cristão. Pedro abraçou o projeto de Janires e assim tornou como um seguidor seu. Num dia, os dois assistiram um ensaio de vários músicos cristãos e os convidaram para integrarem à banda. Eram: Paulo Marotta, Kandell Rocha e André Marien. Por fim, entrou o cantor e guitarrista Carlinhos Félix. Ali surgia oficialmente a primeira formação do grupo Rebanhão.[3][2][4]
A banda começou suas atividades executando suas canções em vários locais da cidade, como nas praças e praias, em alguns momentos junto à Paulo César Graça e Paz. Pela sua sonoridade e letras, o grupo não foi bem recepcionado por grande parte dos religiosos da época. Porém, o grupo prosseguiu.[5]
Cquote1.svgNós queríamos entrar na igreja com bateria e guitarra com som distorcido. No início houve um certo preconceito, depois eles aceitaram.Cquote2.svg
— Carlinhos Félix comentando àFolha de São Paulo sobre o início do Rebanhão.[5]
Apesar das dificuldades, a banda preparava-se para gravar o primeiro e um dos mais bem-sucedidos trabalhos do grupo, o álbum Mais Doce que o Mel. Na gravação deste, a banda já tinha o músico Zé Alberto como percussionista. Na obra, Janires e Carlinhos comporam grande parte do repertório, além de dividirem os vocais. Em 1981 a obra foi lançada, pela gravadora Doce Harmonia. A repercussão do trabalho superou as expectativas do grupo e do próprio selo, chegando a vender mais de cento e cinquenta mil cópias. Porém, houve também pontos negativos, como as especulações de que o disco teria mensagens subliminares em seu conteúdo, o que foi fortemente negado pela banda.[6][7][8][9]
Dois anos depois, em 1983 o grupo preparava para lançar seu segundo trabalho. Com a saída do baterista Kandell, Tutuca entrou em seu lugar. O estilo da obra seguiu a mesma linha do anterior. Assim foi lançado Luz do Mundo.[10] Algumas das canções de tal disco chegaram a serem executadas em rádios não-cristãs do Rio de Janeiro.[8]
Janires comemorava em 1984 dez anos de conversão ao protestantismo. E em razão disso o Rebanhão realizou a gravação do primeiro álbum de música cristã do Brasil ao vivo, o trabalhoJanires e Amigos, gravado no auditório da Rádio Boas Novas em 14 de dezembro daquele ano. Durante o evento, a banda cantou as canções "Baião" e "Casinha", presentes no disco Mais Doce que o Mel além de inéditas que eram homenagens à vários amigos de Janires.

Pós-Janires e PolyGram (1985-1988)

Após a gravação de Janires e Amigos, a banda sofreu a primeira saída de grande impacto em sua estrutura. O fundador e vocalista Janires anunciava sua saída do grupo, que segundo ele era uma direção de Deus. O músico se mudara para Belo Horizonte, onde fundaria mais tarde a Banda Azul. Apesar de sua saída, o cantor continuou a ter contato com os integrantes do Rebanhão, dando conselhos e ajuda.[2]
Com a popularidade do Rebanhão, o conjunto foi contratado pela gravadora PolyGram, onde gravou o disco Semeador. Carlinhos Félix assumiu a posição de líder do grupo e Pedro Braconnot passou a atuar como o segundo vocalista da banda. Mais tarde, o grupo gravou Novo dia em 1987. O evento de lançamento da obra foi realizado no Canecão lotado, e era a primeira vez em que uma banda cristã fazia um evento no local.[11]

Princípio e início dos anos 90 (1989-1995)

Em 1989, a banda fechava um contrato com a Gospel Records e lançava o disco Princípio, o primeiro da música cristã brasileira a ser lançado em formato CD. Aclamado pelo público, o show de lançamento da obra foi realizado no Rio Sampa. Com uma maturidade musical completa, na obra o Rebanhão assumiu uma sonoridade guiada pelo pop rock se destacando pelas canções "Palácios" e "Selo do Perdão". Esta última e "Ele Te Ouve" receberam versões em vídeo.
Em 1991, o grupo lançava Pé na Estrada, sendo o primeiro da banda sem Tutuca, tendo o músico Serginho Batera atuando nas gravações. Após seu lançamento, Carlinhos Félix decidiu seguir uma carreira a solo e deixou o grupo, além de Paulo Marotta em 1992, que mudara para Belo Horizonte, onde passou a trabalhar na engenheiraria civil.
Tendo apenas Pedro Braconnot da formação inicial, o Rebanhão com novos integrantes lançava o último trabalho pela Gospel Records, Enquanto É Dia. O disco contou com uma homenagem à Janires, que havia falecido anos antes em um acidente automobilístico, além de faixascongregacionais, até então uma vertente que o grupo não explorava.

Últimos trabalhos e declínio (1995-2000)

Com a mesma formação anterior, a banda lançou Por Cima dos Montes em 1996 pela gravadoraWarner Bros. Records. Apesar de ser lançado por um grande selo, o trabalho não foi tão bem sucedido como o anterior, não tendo nenhuma canção de grande relevância.[11]
Em 1998, a Gospel Records lançava uma coletânea da banda, onde o repertório era composto por canções dos três trabalhos, intitulado O Melhor do Rebanhão.[11]
Apesar da baixa popularidade, o Rebanhão continuava e gravava de forma independente mais um disco, intitulado Vamos Viver o Amor, lançado em 1999 distribuído pela Dunamy's. Na obra, a sonoridade do Rebanhão era bastante distinta dos discos anteriores, adotando totalmente o congregacional, também conhecido como louvor e adoração como gênero musical do grupo. O trabalho, assim como o anterior passou desapercebido pelo público, tendo notoriedade alguma. O grupo então realizou o show de lançamento da obra e encerrou suas atividades.
Depois disto, o grupo continuou a receber convites para voltar à atividade, porém nada foi decidido a partir de então.

Estilos musicais

Diferente da maioria das músicas cristãs do inicio dos anos 70 e 80, as canções do Rebanhão eram modernas e revolucionárias com letras bem elaboradas e que transmitiam a mensagem de Cristode uma maneira diferente até então. O repertório do grupo era composto de ritmos como o rock and rollcountryjazz, além da musicalidade brasileira: sambabaião, etc. Nos primeiros álbuns, a maior parte das composições eram de Janires. O engenheiro Paulo Marotta, ex- integrante da banda, descreve de maneira bem clara a proposta da música de Janires Magalhães Manso:
"Ironizava os políticos corruptos, os comerciais da TV, parodiava filmes e novelas, falava das realidades, de sonhos, fracassos e frustrações, do pecado e da miséria resultante, para apresentar, em fulgurante contraste, a estonteante luz, a estupenda graça e a infinita paz de Jesus Cristo".
Após a saída de Janires, o Rebanhão se tendeu mais para o estilo pop e pop rock, mas sem abandonar totalmente suas raízes.

Músicos convidados

Em sua existência, o Rebanhão contou com vários músicos convidados para apresentações e gravações. Destacam-se: Lucas Ribeiro, Zé Canuto, Toney Fontes, Hélio Delmiro, Silas, Ermínio, Barney, Marcos Góes, Natan, Bonés e Edinho.

Discografia

Álbuns de estúdio
Álbuns ao vivo
Coletâneas

Ver também

Referências

  1.  Souza, Zilmar Rodrigues de. A musica evangelica e a industria fonografica no Brasil : anos 70 e 80: (Dissertação, Mestrado em Artes). Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Artes, 2002. p. 58.
  2. ↑ a b c d Um cidadão da Jerusalém Celestial. Valter Júnior. Arquivado do original em 24 de agosto de 2012. Página visitada em 24 de agosto de 2012.
  3.  RebanhãoDicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  4.  Do Nascimento Cunha, Magali. A Explosão Gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico. Rio de Janeiro: Mauad, 2007. ISBN 978-85-7478-228-7. Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  5. ↑ a b Mariano, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (em português). [S.l.]: Edições Loyola, 1999. ISBN 978-85-1501-910-6. Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  6.  Márcia Leitão Pinheiro (2006). Na 'pista' da fé: música, festa e outros encontros culturais entre os evangélicos do Rio de Janeiro. Domínio Público. Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  7.  Marialva Bomilcar, Nelson. O melhor da espiritualidade brasileira. [S.l.]: Mundo Cristão, 2005. ISBN 978-85-7325-394-8. Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  8. ↑ a b José Roberto Zan (2002). A música evangélica e a indústria fonográfica no Brasil: anos 70 e 80Unicamp. Página visitada em 14 de agosto de 2012.
  9.  Como nasceu a música gospel. Gospel Sete. Arquivado do original em 18 de agosto de 2012. Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  10.  Luz do Mundo. Arquivo Gospel. Página visitada em 30 de agosto de 2012.
  11. ↑ a b c d e f g h História. Rebanhão. Página visitada em 20 de setembro de 2012.
 Fote:wikipedia