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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Documentário com temática evangélica será lançado este ano em Palmas

Sr. Osmar Bezerra, proprietário do sitio Monte das Oliveiras

É fácil notar a presença cada vez maior das igrejas evangélicas em Palmas. Das tradicionais às neopentecostais - com forte apelo midiático - os templos multiplicam-se. Os dados do Censo 2010 do IBGE referentes ao credo dos palmenses estão sendo tabulados e devem ser divulgados no mês de fevereiro, representando em números e estatísticas uma visível transformação social.
Em 2012, um assunto familiar ao universo protestante vai ganhar as telas. O Homem do Monte é o título de um documentário que está sendo produzido, com previsão de lançamento para o mês de maio. A narrativa tem como fio conduto a história do vendedor de caldo de cana Osmar Bezerra. A chácara que ele adquiriu nos anos 1990 tornou-se um ponto de culto para milhares de fiéis. A peregrinação começou tímida e não demorou até que fiéis de diversas denominações elegessem o pequeno monte que há na propriedade para elevar suas orações a Deus. O nome da chácara não poderia ser outro: Monte das Oliveiras. “Quando venho aqui, desço cheio de alegria e de esperança”, conta Olimar Silva. O vendedor de pão prefere orar sozinho, mas há quem opte em louvar a Deus na companhia de parentes, amigos ou membros da igreja.
O ato de subir ao monte guarda uma significação importante para os cristãos. A crença é fundamentada em passagens bíblicas em que líderes como Moisés, e até o próprio Cristo, recolheram-se a uma montanha para orar. Segundo a bispa Edna Nascimento, da Igreja Apostólica Restauração e Paz, o monte por si só é um lugar comum, “mas a fé o torna um lugar especial”. Em sua avaliação, o Monte das Oliveiras é uma espécie de refúgio onde as pessoas separam um tempo para Deus, sem preocupação com o relógio. A bispa Edna, só faz uma ressalva àqueles que vão em busca de propósitos pessoais, como riqueza e poder.

Filme vai falar de fé
O jornalista Gleydsson Nunes, diretor do documentário, diz que o filme não tem o objetivo de defender práticas, dogmas ou denominações religiosas. “Quando soube da existência do Monte das Oliveiras, imediatamente senti o desejo de produzir um documentário a respeito, principalmente quando conheci o Seu Osmar”. Gleydsson não é protestante e garante que essa condição não terá influência na obra. “Antes de minhas opções pessoais vem o profissionalismo, assim conquistei a confiança de Seu Osmar e das pessoas que estão participando do documentário”, afirma o diretor.
Os demais personagens serão pessoas de níveis sociais e educacionais distintos, com seus relatos de graças alcançadas e experiências sobrenaturais. “As coisas de Deus parecem loucura para as pessoas normais”, argumenta Raquel Montizuma. A história dela é uma das mais impressionantes. Em 2009, deixou tudo para trás e literalmente mudou-se para o Monte das Oliveiras. Permaneceu lá cinco meses sob uma barraca de praia, tomando banho com água levada em garrafas pet. No ano passado, repetiu a dose: subiu ao monte e só voltou pra casa após cento e cinco dias.



Uma missão a cumprir
Seu Osmar é um homem simples, de poucas palavras mas de trato fácil. Casado e pai de três filhos, mora em Palmas desde 1993. A residência onde mora fica a poucos metros do monte, aberto dia e noite aos visitantes. Quem chega não precisa de autorização para entrar. Também não é cobrado nenhum tipo de taxa ou solicitadas doações. Seu Osmar até gostaria de oferecer aos fiéis melhores condições, como a construção de banheiros e um ponto de apoio, mas faltam recursos.
“Eu me considero um porteiro, uma pessoa que Deus preparou pra que eu pudesse cuidar de um povo”, explica o dono da chácara. Na verdade Seu Osmar é muito mais que isso. Anos atrás, ele e esposa recepcionaram em casa, por seis meses, uma missionária que chegou ao local. Em outra oportunidade, ficou sabendo que um homem estava passando fome no monte e com intenção de tirar sua vida. Ofereceu hospedagem, alimentação e aconselhamento ao visitante.
O Homem Monte vem somar-se a outros trabalhos voltados à religiosidade como elemento destacado na cultura tocantinense. A Romaria do Senhor do Bonfim e a Folia do Divino Espírito Santo, por exemplo, já foram retratadas em documentário. A produção do filme está buscando apoios na iniciativa privada. Mais informações: 063 8447-9393 ou g20comunicacao@gmail.com.


Gleydsson Nunes (DRT/TO 213)