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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Colégio Batista do Tocantins em Tocantínia será reaberto

Prédio do Colégio Batista
O Colégio Batista do Tocantins na cidade de Tocantinia há 78 km de Palmas que iniciou sua atividades no dia 2 de março de 1936, com 22 alunos matriculados, pela missionária professora Beatriz Rodrigues um dos mais importantes centros de Educação do antigo norte goiano, hoje Tocantins. 


No inicio do ano de 2011 foi fechado as portas devido entre vários problemas a falta de alunos que era de 450,  anos atras e no final de 2010 era de apenas 42. 




Margarida Lemos
Ontem dia 10 de Agosto, esteve em Tocantinia para inagurar uma escola de tempo integral o Secretário Estadual de Educação Danilo de Melo Sousa. Na oportunidade ele esteve visitando o prédio onde funcionava o Colégio Batista do Tocantins, acompanhado da Missionária Professora Margarida Lemos, hoje com 84 anos é uma das lutadoras em prol do CBT e do Prefeito de Tocantinia Manoel Silvino.


 Em uma matéria veiculada pela REDESAT a TV publica do estado em um dos seus telejornais na manhã de quinta-feira, dia 11, o secretário anunciou que o prédio será reformado e o CBT voltará a funcionar. Disse ainda que o estado ira assumir por 20 anos em especie de comodato. Para finalizar disse que a cidade voltará a ganhar o destaque educacional que anteriormente possuía. “Há algum tempo, Tocantínia era considerada o farol da Educação no Tocantins".




Reabertura do Colégio Tocantins e a transformação do Colégio Frei Antonio em Escola de tempo integral. Isto é uma vitória. Parabéns tocantienses pela conquista e parabéns secretário e governador do estado pela iniciativa.


VEJA UMA MATÉRIA DO JORNAL DO TOCANTINS DO DE 2010 ASSINADA POR JUNIOR MACIEL E CINTHIA ABREU E CONHEÇA UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA E O LEGADO DESTA INSTUIÇÃO DE ENSINO.


Instituição com um legado educacional ímpar no estado, repleta de personagens interessantes, encerrará suas atividades no ensino formal

Uma escola que abrisse a visão para o mundo. Este era o desejo do povo da pequena vila de Piabanha, no antigo Norte Goiano, hoje Tocantínia, estado do Tocantins. O lugar era pequeno. Havia ali duas pequenas escolas e duas professoras "heroínas" à frente, Odina Belém e Dulce Maranhão. Mas o anseio daquele povo era a busca por um ensino mais avançado. Por volta de 1930, aproveitando a visita do Dr. Lewis Mallen Bratcher, então diretor administrativo da Junta de Missões Nacionais (JMN), da Convenção Batista Brasileira (CBB), os pais de alunos da vila o consultaram sobre a possibilidade dos batistas abrirem uma escola, com mestres mais capacitados, que viessem de grandes centros do país. O pedido foi anotado e posteriormente atendido. No Rio de Janeiro havia uma Escola de Obreiras, cuja função era formar moças para exercerem ensino em igrejas, principalmente de lugares escondidos e sem muito recurso público. Duas jovens se sentiram "chamadas por Deus" para deixarem os seus lares com o desejo de pregar o evangelho aos denominados "sertanejos" do interior brasileiro.

Criação
Essas duas jovens cariocas, Lygia de Castro Câmara e Beatriz Rodrigues da Silva, saíram da Cidade Maravilhosa, para assumirem espaço, respectivamente, em Carolina (MA) e Piabanha, a  pequena vila no Norte de Goiás, cujos índios dali, os Xerente, foram catequizados por frei Antonio de Ganges, de origem italiana e que se radicou em Piabanha, onde faleceu. No mesmo ano da chegada da professora Beatriz Rodrigues, o nome da cidade passa a ser Tocantínia. No dia 2 de março de 1936, com 22 alunos matriculados, a missionária professora Beatriz Rodrigues iniciou os trabalhos de seus sonhos: numa pequena Vila, com muitos aglomerados indígenas nos arredores, com um povo "bom e amigo". Algumas famílias, oriundas do sul do Maranhão, eram bastante eruditas, possuindo conhecimento e tendo uma visão das necessidades do setor educativo. Assim nasceu o Colégio Batista do Tocantins (CBT), na cidade de Tocantínia (TO). Nestes 75 anos, várias pessoas assumiram a direção do Colégio: Beatriz Rodrigues da Silva (sua fundadora e primeira diretora), Maria Emília Feitosa, Noah Arruda, Neli Monteiro, Margarida Lemos Gonçalves, Tilda Evaristo da Silva, Juselita Amorim, Simone de Jesus Silva, Manoel Gomes da Costa Júnior, e atualmente, Mírian Diana.

Desafios e conquistas
Beatriz Rodrigues dirigiu a escola até 1952, quando passou a direção a professora Margarida Lemos Gonçalves, jovem que havia chegado do Rio de Janeiro. Nessa época, várias modificações foram operadas. A construção de um novo prédio, em frente ao antigo, próximo à praça Frei Antônio. Por orientação da JMN, diante do crescimento da escola, foi adquirido o terreno atual, onde foram construídos os três prédios existentes. Foi implantado Curso Médio, técnicos em Administração e Secretariado. Outra aquisição foi uma lancha especial, com motor potente, para a travessia de alunos que moravam em Miracema.
Aos 83 anos, a professora Margarida, que também deixou para trás os familiares e amigos, relembra com saudade as atividades desenvolvidas pelos alunos no CBT. A plantação de árvores no pátio da escola, especialmente no Dia da Árvore, e nos lares. As agremiações estudantis, que cuidavam da vida intelectual, moral e cívica da escola, o Pelotão de Saúde, responsável pelas ações de assistência sanitária, Grêmio de Ex-Alunos Beatriz Silva, Associação de Alunos Evangélicos e o Círculo de Pais e Mestres. Todos trabalhavam efetivamente. Eram incentivadas duas excursões anuais. A vida desportiva era intensa. O voleibol e o futebol eram as principais modalidades. Em 1977 o time de futebol do CBT recebeu o troféu de campeão do Norte Goiano. Em outros tempos mais recentes conseguiram destaque, os atletas do handebol e futsal. Todos, amantes do esporte, colocando em prática o lema estampado na  bandeira do colégio, "mente sã em corpo são".

Resultados e exemplos
Segundo a professora Margarida, "o aluno aprendia não somente as letras e os números, mas as boas maneiras, respeito e cuidado com a natureza, a não utilização do fumo e bebida alcoólica, o respeito aos mais velhos e às crenças dos outros, o bom trato entre os colegas". Como resultado, as duas mestras colheram bons frutos. Com o advento do estado do Tocantins, a partir de 1988, as professoras viram seus "filhos" desenvolvendo atividades, colaborando com o crescimento do novo estado. Um deles é o ex-deputado e ex-governador do Tocantins, Raimundo Nonato Pires dos Santos, o Raimundo "Boi", como era conhecido nos tempos de estudante no CBT, no início da década de 1960. O ex aluno lembra que era grande o esforço para acordar às cinco horas e ter que percorrer entre quatro e cinco kms a pé, até a travessia do rio Tocantins, que na época era feita em uma canoa de madeira, tocada a remo. "Foram muitas as vezes que enfrentamos grandes temporais, marolas assustadoras e a embarcação, chegando por muitas vezes a ser afundada pela a tempestade. Mesmo assim continuamos com o nosso objetivo de estudar neste colégio, que era referência da região tocantina", acrescenta o ex-governador. Para Raimundo Boi, o Colégio Batista foi "um marco na formação escolar e também na minha vida, dando para aquele menino traquino, novos conceitos de vida, me ensinando os primeiros modos de disciplinas, de comportamento, base no esporte e a importância da família", diz acrescentando que foi com as professoras Beatriz Silva e Margarida Gonçalves que adquiriu sua "formação humana, cultural e intelectual."

Formação
O Norte Goiano era uma região pobre e carente de educação, eram poucas as escolas que possuíam o curso ginasial. Por esse motivo muitos alunos saíam de suas cidades para estudar em Tocantínia. Depois de 44 anos longe do Colégio Batista, Filon Nogueira Suarte, 63, diz que saiu de Natividade (TO) para realizar o sonho de continuar seus estudos "numa instituição que tinha como marca um ensino de excelência aliado à consistente formação moral e espiritual. Foi lá que tive meu caráter moldado, minha perspectiva de vida acadêmica vislumbrada, minha fé em Deus solidificada." Hoje, professor aposentado da rede pública no Rio de Janeiro e professor-pesquisador da Universidade Aberta do Brasil, Suarte ressalta que aprendeu "com o exemplo de vida dos professores e professoras do CBT, principalmente de Beatriz Silva e Margarida Gonçalves, que nossas ações  falam mais alto do que as palavras. Foi ali que passei a ver meu semelhante como irmão e desenvolvi um amor fraternal com meus colegas, cujos laços se mantêm firmes até hoje", conclui.

Aprendizagem
Quem também não se calou foi a professora aposentada Else Jorge de Miranda, 63. Em gratidão, a ex-aluna, que atualmente mora em Brasília (DF), destaca a "dedicação, disposição, exemplo e renúncia de nossos tão bondosos e ilustres mestres ainda presentes em nossos corações." Além destes, outros milhares de ex-alunos espalhados pelo Brasil e pelo mundo gostariam de falar das experiências e exemplos obtidos no Colégio Batista de Tocantínia, através de seus mestres, a maioria, missionários vocacionados, que com dedicação, amor e renúncia, aceitaram o desafio de conviver no interior do país, e ensinar lições que ficarão marcadas para sempre na memória de todos que passaram por esta instituição.

Homenagem a Margarida Lemos

Margarida Lemos Gonçalves é missionária de Missões Nacionais há mais de 60 anos. No início de sua carreira ministerial, esteve voltada para a área do ensino. No Tocantins, desenvolveu um intenso trabalho missionário, dedicando-se à formação de cidadãos através da educação e cultura. A convite do primeiro Governador do estado tocantinense, Siqueira campos, Irmã Margarida ajudou a implantar  o Sistema Estadual de Educação. Em homenagem a esta guerreira pela educação no Tocantins, a Prefeitura Municipal de Tocantínia (TO), juntamente com a Secretaria de Educação e Cultura, inaugura hoje a Biblioteca Pública Municipal Profª Margarida Lemos Gonçalves com cerimônia às 9 horas, a realizar-se à Av. Tocantins, 220, Centro.
Margarida morou em Palmas de 1989 a 2003 e se tornou membro e presidente do Conselho Estadual de Educação. É membro fundadora e por dois anos foi presidente da Academia Tocantinense de Letras. Também ocupou o cargo de Diretora de Ensino do Município de Palmas e Assessora da Secretaria Municipal de Educação de Palmas. Em 1998 recebeu o título de cidadã palmense, outorgada pela Câmara Municipal de Palmas. Foi vice-presidente do Conselho Municipal de Educação de Palmas e atuou na direção do Colégio Batista de Palmas. Em 2003 mudou-se para Lajeado, TO, onde está à frente da Congregação Batista.

Fonte: Jornal do Tocantins - Júnior Maciel - Cinthia Abreu