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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Dívidas: o que fazer para sair de seu labirinto pessoal?



A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. 

Romanos 13:8

O endividamento dos brasileiros com o sistema financeiro nacional bateu novo recorde ao final do primeiro trimestre de 2013. De acordo com o Banco Central (BC), as dívidas das famílias correspondiam, em março, a 43,99% da renda anual. Se forem retirados da conta os financiamentos habitacionais, o comprometimento da renda mensal fica em 20,06% em março de 2013, ante 20,24% em fevereiro.

Este verdadeiro labirinto pessoal é muito mais comum do que se imagina nas famílias brasileiras. Crédito fácil, inflação acima do aumento da renda, falta de planejamento e controle das receitas e despesas da família, compulsividade, ansiedade e busca do "status quo" a qualquer preço são algumas das razões para que, em determinado ponto limite, você esteja em uma situação que chamamos de insolvente. Situação esta que pode gerar graves conflitos emocionais e até doenças físicas.
Eu mesmo já presenciei muitas pessoas neste estado, inclusive gerando mais despesas irracionais, devido à total falta de controle emocional.
Então, o primeiro passo é respirar e se acalmar. A primeira pílula que deve ser tomada em quaisquer situações de crise é sempre a da aquietação da mente. Para podermos raciocinar com serenidade. E o segundo passo, Diagnosticar sua atual situação de receitas, despesas e dívidas, Você precisa encarar o leão de frente, por mais doloroso que seja.
Bem, e agora??  Certamente o grande vilão na maioria dos casos se chama cartão de crédito. Este dinheiro de plástico nos prega peças incríveis, na ilusão de termos um dinheiro (o limite) o qual na verdade não temos. E o pior, é muito comum numa situação de dificuldade financeira ou insolvência, irmos "rolando" a dívida do cartão do crédito com apenas o pagamento do valor mínimo (na média, 10 ou 20% da fatura) a inacreditáveis 12% a.m. mais multa. Ou seja, a cada R$100,00 de fatura não paga, você terá um passivo, ao final de 12 meses, de incríveis R$349,85.
Assustador?? Então as seguintes considerações devem ser seguidas nos casos de inadimplência e até que você consiga voltar à sua "normalidade" financeira:
1) Faça uma reunião com sua família (marido, mulher, filhos maiores ou menores) e informe claramente sua situação e a importância do engajamento familiar na eliminação das dividas;
2) Dê prioridade a  todas suas faturas de concessionárias de serviços que estejam em estado de corte iminente (água, luz, etc.);
3) Consuma, até você conseguir uma certa estabilidade das contas, apenas o essencial, e limitado as suas necessidades básicas e da família (alimentação, vestuário básico, escola , etc.). E mesmo assim com ampla pesquisa de preços;
4) Corte imediatamente todos os serviços não essenciais como a TV a cabo e pacote de  internet celular. Substitua seu plano pós-pago por um pré-pago ou controle;
5) Considere vender o que não for essencial neste momento, como seu carro ou o do filho por exemplo, provado ser um dos maiores geradores de despesa (passivos) em nossas contas;
6) Se for o caso e se possível (quase sempre é), tente aumentar sua renda e da família com jornada e trabalhos extras e venda de produtos ou serviços em que tenham alguma habilidade; 
7) Suspenda imediatamente todo uso de limite de cheque especial, que vem em segundo lugar, depois do cartão de crédito,  na lista das dívidas mais caras (em média  absurdos 210% ao ano).
8) Vá imediatamente a seu banco e se comunique com sua operadora do cartão para renegociação da dívida atual. A maioria das operadoras de cartão aceita renegociar a valores muito menores que a dívida a faturar. Importante: só renegocie da forma e valores que você possa pagar. Caso seja negado, procure um órgão de defesa do consumidor e entre com um processo na Justiça Especial Cível de seu domicilio (é grátis e não precisa de advogado para ações de até 40 salários mínimos);
9) Caso as providências acima não sejam suficientes,  considere tomar um empréstimo pessoal (ou consignado) para quitar suas dividas. Lembre-se da importância de pesquisar as taxas de juros e eventuais emolumentos, que podem variar absurdamente de banco para banco. Geralmente os bancos públicos oficiais têm as taxas mais atrativas (CEF, Banco do Brasil, etc.), assim como as cooperativas de crédito e fundações;
10)  É sempre conveniente você contratar um coach ou consultor financeiro, caso você não se sinta apto a sair do seu labirinto pessoal. Sempre valerá a pena pelos ganhos a serem obtidos.