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domingo, 9 de junho de 2013

O poder corrompeu muitos pastores presidentes

O pastor Silvio Costa traz-nos em seu artigo publicado hoje no Seara News uma reflexão sobre casos de líderes que têm usado do cargo para tão somente aproveitar-se dos prazeres pessoais em detrimento dos anseios dos membros que estão sob seus cuidados “pastorais”.
Santos deixa bem claro seu descontentamento com algumas manobras políticas que acontecem em muitos rincões do Brasil.
Para ele quando um suposto ‘líder’ usa dos meios de sua influência para obter fins de proveito próprio, temos então a caracterização de abuso de poder”. Tal afirmação pode ser vista, infelizmente, em muitos lugares de nossa terra tupiniquim.
O escritor, ao final do artigo, explica o por quê de tratar sobre esse tema e diz que espera crer que a postagem seja útil no despertar de consciências para uma igreja local forte, soberana e livre para servir a Deus sem paredões de egoísmos episcopais”
Confira o artigo completo:
“Por Silvio Santo Costa
Escrevo este artigo para realçar uma triste realidade em que funestos governos eclesiásticos através de seus “pastores feudais” empurram goela abaixo de seus liderados tolhidos e sugestionados – um sistema de mesmices e descalabros; uma cultura de exploração e de extrapolação de direitos sob disfarçada forma religiosa (não é boa religiosidade, pois em sua ligadura há uma mistura carnal e maligna).
Quando um suposto “líder” usa dos meios de sua influência para obter fins de proveito próprio, temos então a caracterização de abuso de poder. E todos nós sabemos que isso ocorre dos piores modos em denominações evangélicas, convenções de ministros; ministérios locais e igrejas.
A aplicabilidade do termo “poder” em sua variada semântica denota autoridade, domínio, controle, influência e até imposição. Os homens em suas diversas organizações necessitam de governo equilibrado, boa liderança e mansa voz de comando. Na democracia a indispensabilidade da ordem e do progresso está intimamente ligada ao exercício do poder por um indivíduo ou instituições que assegurem a detenção e equilíbrio do mesmo. A igreja não é uma democracia, mas em alguns sistemas que beiram o congregacional (como nas Assembléias de Deus), os membros têm voz ativa e participam do exercício deste poder de conduzir a igreja para o seu melhor nos aspectos espiritual, administrativo e social.
Por conta do pecado há inculcado nos recônditos da natureza humana uma aspiração pelo poder a qualquer preço; só nos libertamos desta introjeção quando Cristo torna-se o Senhor de nosso eu. Lúcifer perdeu sua posição original porque também se deixou corromper pelos devaneios do poder. Para exemplificar a reflexão, permita-me descrever-lhes uma pequena e pertinente estória.
Numa produtiva reunião de obreiros locais, o mais audacioso dos pastores da pequena congregação percebeu que os seus posicionamentos intrépidos exerciam influência sobre a vida de outros obreiros do pequeno ajuntamento. A simples descoberta despertou-o a perspicazmente incubar um futuro sistema de autoritarismo, cabresto ideológico e ditadura religiosa através de suas mensagens e instruções. O esperto demagogo em seu projeto de agregação portava-se como um líder imediato, arrojado e promissor para o futuro da comunidade.
O tempo passou e a congregação cresceu. O sutil pastor do próprio ego conseguiu convencer os irmãos a pedirem a emancipação eclesiástica. Assim; enfim alcançou os intentos de sua maior ambição pessoal – tornar-se o pastor presidente da nova igreja sede. Na medida em que a tenra matriz desenvolvia e expandia-se através de suas congregações emergentes por todos os bairros da cidade; ardilosamente um esquema calculista de perpetuação no poder era dissolvido no estatuto e regimento interno da recente igreja matriz que naqueles dias experimentava uma verdadeira ebulição espiritual.
O calendário é ininterrupto e em poucos anos a dita “presidência da igreja” extinguiu as assembléias de membros e suprimiu bastante as reuniões de obreiros, de forma que as decisões mais importantes estavam subordinadas ao famigerado administrador da igreja. As cavilações, vaidades e costumes do “dono da igreja” tornaram-se padrão de vida para os membros. Sua arrogância foi assimilada como unção, sua presunção como autoridade e seu disfarçado e engenhoso plano de poder como visão ministerial avançada.
Uma tirania dominou o prelado espiritual (de espiritualidade nada mais lhe restava) que no desequilíbrio de seu comportamento de imposição e sem medir conseqüências massacrou a “chamada oposição” que não se curvava frente ao cetro de sua descabida monarquia de autoritarismo. Ou todos eram vassalos de manobras ou prisioneiros de uma masmorra de depreciação espiritual – não havia pra onde correr e muito menos como escapar.
O bispo do poder em sua posição marcial fez com que diáconos, presbíteros (cargos locais) e até ministros (evangelistas e pastores) fossem depostos de suas funções e os últimos relegados a meros ocupantes das cadeiras do púlpito – já que não tinham oportunidade para mais nada. Pelos retrovisores do tempo a imagem do outrora pastor arrojado foi encoberta por uma poeira de ganância e por uma avidez pela supremacia que culminou em um tipo cruel de ditadura eclesiástica.
No fim da estrada, a carruagem daquele pretenso pastor chegou a seu castelo de ideais maquiavélicos e de arguta estratégia, cujo propósito era o de enfraquecer o corpo de obreiros e controlar o ministério através da convergência de poderes centrados na autoridade do patriarca da igreja sede. A cultura enxertada pela ditadura do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, configurou uma igreja não senhora de si mesma, subordinada a um tipo de subserviência que aceitava e aplaudia o déspota e arrogante proprietário daquele engenho eclesiástico.
Encerro a breve exposição declarando que frequento uma igreja que tem seus problemas. Com certeza deve ter gente lá insatisfeita com a administração e etc. Mas posso assegurar-lhes que como poucas igrejas evangélicas bem organizadas e doutrinadas, a minha igreja mantêm reuniões de membros, apresenta relatórios de suas operações, discute com sua membresia e quadro de obreiros suas principais e inevitáveis decisões. Quero crer que a postagem seja útil no despertar de consciências para uma igreja local forte, soberana e livre para servir a Deus sem paredões de egoísmos episcopais.”
Silvio Costa Ministro do Evangelho, Teólogo, pregador, palestrante, conferencista
Silvio Costa
Ministro do Evangelho, Teólogo, pregador, palestrante, conferencista
Fonte: Jornal da Missão